Áureo
obra de 2011
texto de 2024
ÁUREO
Obra que faz parte de uma série de trabalhos chamados “Sistemas”, que tiveram algum tipo de planejamento inicial prévio à pintura. Tempo de reflexões sobre sequências, sobre o infinito, sobre como a arte pode nos levar a fazer conexões com o mundo ao redor.
A geometria faz parte de meus pensamentos, sempre me interessei seja para fins concretos de cálculos, quanto para fins abstratos, gerando relações com a própria vida, questionando sobre sua razão, algo que tem me proporcionado novos conhecimentos. Vou atrás do lógico e do sensível.
O nome do trabalho não esconde o que trago em pauta. O retângulo áureo é a forma mais harmônica esteticamente aos olhos do homem, equilibrada quando se trata de suas proporções, há uma divisão especial entre suas partes. Se dividirmos o lado maior pelo menor resultará no número PHI, um número infinito. É incrível que este mesmo número se encontra em relações de elementos da natureza, por exemplo em plantas que tem suas formas de crescimento adequadas a favorecer a obtenção de luz solar, como uma certa ordem favorável, contendo partes que se relacionam nesta mesma proporção.
Partindo desta teoria, com números irracionais, minhas réguas e escalas não dariam conta de medir. Estudei como desenhar manualmente com um compasso pois não precisava de um número, sim da proporção. Aqui entra minha lógica de pensamento pois com um pouco de experimentação na tela logo me dei conta que sempre que retirasse um quadrado de cada um, eu estaria criando um novo retângulo áureo pois as proporções se mantinham. Assim resolvi seguir a progressão até onde consegui medir e usar os instrumentos de desenho.
Fui diminuindo os tamanhos dos retângulos, mantendo relação com as posições prévias, fazendo uma espécie de giro, um movimento espiral imaginário dos quadrados que vão sendo removidos. Há uma lógica intuitiva minha nessa escolha que espero levar a quem venha ver a obra. Convido a pensar sobre qual operação gráfica foi feita para cada redução da figura. A espiral não é óbvia, é preciso refletir, pois é sobre o negativo, sobre o que foi eliminado.
O trabalho foi até o limite de onde minhas mãos e instrumentos puderam executar. Áureo poderia seguir diminuindo até o infinito, pois na minha imaginação seguirá sendo removido um quadrado de cada, gerando um retângulo áureo cada vez menor. Outros mundos devem existir, mesmo que nossos olhos não são capazes de ver, então espero que estes retângulos estejam se dividindo num plano microscópico ou em outras dimensões além desta que podemos perceber. (1)
Karen Axelrud, 2024.
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Recomendo assistir o vídeo “Divisão” disponível no canal do YouTube Karen Axelrud. “Peguei um pedaço de papel azul que tinha levado comigo e fui dividindo, rasgando o papel ao meio, uma ação simples, soltando cada movimento uma das partes, diminuindo sistematicamente até o limite do que a minha mão conseguiu segurar. Esta foi uma experiência do que fazer diante do sublime, de estar imensidão daquele deserto. No primeiro plano o papel azul vai diminuindo de tamanho até sumir. No plano de fundo o céu azul segue amplo e infinito”.
