Combinações, 2010

Combinações é um trabalho composto de uma animação de 30 min e um painel onde são dispostas 256 figuras, revelando quadro a quadro, sua estrutura de montagem. Baseia-se na idéia do movimento das imagens.
A obra propõe o seguinte enunciado:
Passo 1: Inserir um desenho assimétrico dentro de um quadrado (denominar: unidade).
Passo 2: Multiplicar a unidade x 4. Girá-las em movimentos de 90, 180, 270 e 360 graus, tornando-as 4 unidades diferentes. Agrupá-las, formando um quadrado (denominar: figura).
Passo 3: À partir da figura obtida, girar suas unidades, em movimentos de 90, 180, 270 e 360 graus, gerando todas as novas figuras possíveis, sem repetição.
As palavras ativam a imaginação para diversas formas de apresentação. A minha foi apenas uma possibilidade.
Uma figura simples, submetida às ações propostas, resulta em uma série de novas figuras, como meio para sua resolução. A animação contém todas imagens obtidas, dispostas em lento movimento, sem inicio ou fim. O trabalho que gira, se altera, se repete, mas não vai a parte alguma. É tempo presente. Propõe uma percepção ativa por parte de seu expectador, que poderá fazer qualquer leitura. Não para se descobrir o método sistemático aplicado, pois ele é serial e simples. A idéia de que nos intervalos entre as imagens, sobre um tempo a mais para pensar sobre as próprias combinações, ou quem sabe, em outras possibilidades.
Venho me questionando em relação a este trabalho, e ainda uma série de perguntas se mantém abertas, o porquê do serialismo que aplico. Seria um ritual obsessivo cobrindo um abismo de irracionalidade? O serial é a idéia do absurdo?
É um trabalho que ao primeiro momento parece vincular-se à lógica. Mas encontro profunda ligação com a abstração, mais desprendida da matéria, mais idealista. A forma que pode transportar idéias, como metáforas. Entendo assim que trata-se da intangibilidade da arte. A arte como sendo a busca errante da ordem pela própria ordem.
A matemática já foi muito utilizada como meio na arte, mas não é uma tese que busquei. Não realizei uma prova, uma explanação gráfica de algum sistema. Foi o jogo, o desenrolar do processo em si que mais me interessou. A obra COMBINAÇÕES foi uma hipótese realizada. Representa materialmente uma idéia, separada de uma finalidade funcional. Para mim, absolutamente abstrata.

Karen Axelrud, 2010