Infinito II, 2012

Infinito II é um trabalho que faz parte da construção de poéticas da série de Sistemas de Registro do Tempo. Ao partir da possibilidade de rever as convenções que nos rodeiam, estabeleço uma alternativa, uma nova maneira de ver o cotidiano. É o resultado da experiência de fotografar o céu sequencialmente todos os dias e noites, sem horário determinado, e da anotação do ano, mês, dia, hora e minutos de cada registro. Uma obra temporal, que estende-se por um ano, onde experimento a própria vivência do tempo.
O trabalho é elaborado com desenho e imagem digital, onde utilizo a grade como elemento estruturador para articular as fotografias coletadas. Aprofundo a pesquisa e reflexão que venho realizando em torno da grade, como metáfora entre o lógico e o sensível no campo da arte. Trago para perto duas vias de entendimento, por um lado o elemento repetitivo, matemático, geometrizado e por outro, aspectos filosóficos e desmaterializados. Dois pólos em eterno contraste. Ao mesmo tempo trato da coexistência da lógica e da abstração quanto à percepção sensível do espaço maior que nos envolve, através da abordagem do infinito. Conceitualmente representa o céu infinito e a grade também infinita.
Em Sistemas de Registro do Tempo desenvolvi uma régua com dimensões precisas, que estabelece as horas do dia. Uma grade de horas que respeita uma convenção própria, uma relação gráfica de um tamanho-tempo. Nesta régua inseri as fotografias do céu proporcionalmente ao momento de cada captura fotográfica. É à partir desta estrutura que diversos trabalhos desta série se desenvolvem. Em Infinito II é onde a regra se rompe, onde imagem e grade se desprendem do sistema estabelecido. É a colagem de uma fotografia de um céu cinza, neutro, indeterminado, e a grade, régua de medição do tempo, que se apresenta isolada, em tamanho menor, solta no centro da imagem. A grade, não é mais uma estrutura modeladora, está disposta como figura independente. 
Questiono, onde ficam nossos sistemas e as estruturas que construímos? Ao articular elementos do dia a dia sob regras estabelecidas chego no desafio de registrar algo como o tempo. Seria o sistema, a diferenciação da apresentação de temas que vivenciamos todos os dias que pode nos fazer refletir? Nas diversas questões que se abrem é onde encontro caminho para experimentar e revisitar o olhar ao redor.

Karen Axelrud, 2012